O que fazer em Madrid, na Espanha?

Qual a primeira coisa que você pensa quando falam em Espanha? Para mim, logo vem a imagem de dançarinas de flamenco, música, risadas, comidas deliciosas e um ar leve. Enquanto aguardamos ansiosos pela terceira temporada de La Casa de Papel, por que não explorar mais as cidades mostradas na série e outras que conquistaram meu coração?

Roteiro completo:

  • 2 dias em Madrid
  • 1 dia em Toledo (bate e volta)
  • 2 dias em Valência
  • 2⅓ dias em Mallorca
  • 6 dias em Barcelona
  • 1 dia em Montserrat (bate e volta)

Dia 1:

Madrid, capital da Espanha, centro econômico e administrativo, infraestrutura moderna misturada com prédios antigos que dão todo o charme que só ela tem. Interessante como essa cidade te abraça e te faz sentir em casa, senti que já conhecia os ares, as ruas e as praças, mesmo sendo minha primeira vez.

Pegamos um micro apartamento pelo AirBnb próximo à estação Noviciado, um bairro próximo ao centro, cheio de bares de tapas e pubs. Acertamos a localização em cheio, mesmo sendo próximo a ruas movimentadas, o apartamento ficava em uma ruela bem silenciosa. Na Calle del Pez, mais ou menos uns 2min caminhando, estava tendo uma celebração ao santo Antônio, com música ao vivo e apresentações de rua.

Nessa rua encontram-se os bares e pubs que comentei, jantamos no Antrocha café, um restaurante pequeno, com decoração linda e aconchegante. Pedimos hambúrgueres artesanais, um com queijo de cabra e ou com brie, sensacionais; não podendo faltar as tradicionais croquetas de jamón, um bolinho frito recheado. Para as bebidas experimentamos o tinto de verano, tradicional entre eles, refresca que é uma beleza.

Fomos em junho, toda a nossa programação tinha sido pensada para ver o pôr do sol em pontos específicos, mal sabíamos que em junho o sol de punha às 21h30. Por um lado, foi ótimo, pois conseguimos fazer muito mais coisas todos os dias.

Para começar nosso primeiro dia oficial em Madrid, decidimos ir à Puerta del Sol, é uma praça pública, de onde parte de forma radial as estradas da Espanha, por isso é conhecida de marco zero. Nessa praça tem o símbolo da cidade, o urso apoiado em uma árvore, não se sabe ao certo porque se tornou símbolo, uns dizem que o urso pode representar a abundância e a fertilidade e a árvore, o madronho, é da espécie que salvou a população da praga que assolou a cidade no séc. XV.

Seguimos pelas ruas e ruelas até a Plaza Mayor, onde passamos pela casa de la Paderia, calle Toledo e mercado de San Miguel. O mercado é coberto, construído originalmente em 1916 e renovado em 2013 para sua reabertura. Logo adiante encontra-se a plaza de la Villa, circundada por construções medievais e toda florida, tem um charme próprio. Os edifícios ao redor têm grande valor histórico, erguidos em séculos diferentes. O mais antigo é a Casa de la Torre de Los Lujantes, seguido pela Casa de Cisneros e a Casa de la Villa, com estilo barroco.

Próxima parada foi a Catedral de Santa Maria la Real de la Almudena, padroeira da cidade, e a cripta (entrada gratuita), para chegar na cripta basta seguir a rua lateral passando ao lado dos muros mouros. O palácio Real de Madrid localiza-se logo ao lado, em frente a Plaza de Oriente. Tanto a praça quanto o palácio são muito bonitos e vale passar um bom tempo. Para a entrada no palácio indica-se comprar antecipado pela internet, nós compramos na hora e não teve fila. Vale lembrar que o cartão internacional de estudante é bem aceito em quase todos lugares, dando meia entrada ou até gratuita dependendo da idade.

O palácio foi residência real desde Carlos III até o reinado de Afonso XIII, a construção teve inspiração no palácio de Louvre em Paris. Possui mais de 3000 divisões, sendo destacados o salão do trono, salão dos Alabardeiros, sala Gasparini – com decoração à base de elementos vegetais – e a capela real. É possível ver a troca da guarda todas as quartas-feiras, exceto nos meses de julho a setembro. Da praça do palácio pode-se ver o Campo del Moro, consiste em uma extensa área verde que dizem ter a melhor vista do palácio.
Entrada: 14 euros adulto, 9 euros reduzida

Na saída do palácio demos uma volta pela Plaza de Oriente, além da estátua de Felipe IV, a praça é bem arborizada, refrescando o clima seco e ensolarado de junho. Da mesma forma encanta os Jardins de Sabatini, localizados ao lado do palácio, possui até um labirinto entre os arbustos. O jardim é decorado com diversas estátuas de reis, fontes, bancos de pedra e um lago te teletransportando para outra época.

Não longe dali está o templo egípcio Debod datado no segundo século antes de cristo. O seu interior é fechado para visitação, mas é possível caminhar e admirar ao redor pelo parque. Este lugar tem uma vista maravilhosa do palácio Real, além de ser ampla e livre de construções, permitindo ver longe. A ideia inicial era assistir ao pôr do sol no templo de Debod, ainda faltavam algumas horas para isso e decidimos seguir o rumo e caminhar pela Grand Via.
Com quase 100 anos desde a sua construção, a Grand Via marcou o início da modernização da cidade, onde foram construídos os primeiros arranha-céus. Como resultado, a via é composta de uma série de prédios, sendo os mais conhecidos o prédio da Telefónica, o Casino militar e o Callao Cinema. A rua também tem diversos restaurantes e bares, sendo bem movimentada a noite.

Dia 2:

O segundo dia em Madrid foi destinado a conhecer a arquitetura classicista e iluminista do século XVIII. Iniciamos com o Museo del Prado, não por questões logísticas, mas para aguardar na fila e entrar no primeiro horário de visitação (a entrada é gratuita para estudantes que apresentarem a carteira internacional). Existe a possibilidade de comprar os ingressos pela internet e não perder tempo com filas, mas o tempo de espera foi curto, considerando que chegamos antes da abertura, o tempo total de espera foi de 30min. O museo del Prado possui uma das mais famosas coleções de quadros do mundo, e facilmente perde-se lá dentro. Para amantes ou não de pinturas, é interessante reservar um bom tempo para observar essas belezinhas.

Essa região é toda trabalhada na beleza e é bem detalhista, o paseo del Prado (a rua que chega no museu) é linda demais e caminhar por ela já te transporta para outra época. Nos arredores do museu também é possível ver a estátua de Goya e o monumento à Velazquez. Caminhando pelo paseo del Prado, passa-se pela Fuente de Neptuno, o monumento a los caídos por España, o banco de España, o centro cultura e a fonte Cibeles, todos esses prédios possuem uma arquitetura impressionante.

Seguimos ao paseo de Recoletos até o museu Arqueológico Nacional e a Biblioteca Nacional. Almoçamos no Café Gijón, um dos restaurantes mais antigos, aberto desde antes da guerra civil, é um local de encontro para escritores, intelectuais e artistas. Pedimos o menu do dia, que continha entrada, prato principal, sobremesa e uma bebida.

Caminhamos em direção a Puerta de Alcalá, construída em 1778 a pedido do Rei Carlos III para comemorar a sua chegada, foi disposta na entrada da cidade junto do caminho que conduzia a Alcalá de Henares, por isso o nome. De lá, entramos no parque El Retiro, ótimo para descaçar, deitar no gramado e aliviar o calor. São 125 hectares com muitas árvores e jardins bonitinhos, um grande lago onde se praticam alguns esportes, como o remo, e os palácios Velazques e de Cristal.

O palácio Velazquez tem exposição de arte e fotografia, com entrada gratuita; já o palácio de Cristal foi construído para acolher plantas exóticas das Filipinas em 1887 e atualmente também serve para exposição de artes. O parque também é recheado de esculturas e fontes, dentre as principais estão a estátua do Anjo Caído, a única escultura no mundo que representa o diabo, e a fonte das Galápagos, que comemora o nascimento de Isabel II.

Saímos do parque e caminhamos pela Calle de Claudio Moyano, essa rua teria nada demais se não fosse pela tradicional feira de livros usados que existe desde de 1925. São trinta banquinhas de madeira, aparentando os originais, com muitos livros de todos os gêneros. No final da rua está a famosa estação de metrô Atocha e o monumento às vítimas de 11 de maio. Foram atentados terroristas contra o sistema de trens suburbanos de Madrid, matando 193 pessoas e ferindo mais de 2mil.

Logo ao lado está o Jardim Botânico Real, visita obrigatória, com vários caminhos entre flores, arbustos e árvores, possui herbários, estufas e conteúdos botânicos gerais, como curiosidades, singularidade, usos das plantas e importância para a nossa vida.

Próxima parada foi o museu Nacional Reina Sofia, nele encontram-se obras de Picasso, como a famosa Guernica, considerada símbolo da Espanha de transição à democracia. Na praça em frente ao museu tem vários restaurantes e bares de tapas, ótimos para um bom lanche.

Aproveitando o dia longo, fomos até a famosa rua que possui algumas obras literárias escritas no chão, a Calle de las Huertas. Uma rua que não chama a atenção de início, estreita, com restaurantes, flores e casas, quando menos espera começam as frases no chão. A vizinhança teve importante participação nos anos dourados de Madrid, servindo de área residencial para escritores e artistas, como Miguel de Cervantes, Francisco Quevedo e outros. A rua que atravessa o bairro, é bem movimentada a noite também, os restaurantes de tapas, pubs e bares.

Já indo em direção ao apartamento, entramos em uma das maiores lojas de departamento da Espanha, El Corte Inglés. Além de ter bons preços para compras em geral, no terraço tem restaurantes no estilo praça de alimentação, com várias opções de pratos e petiscos. Claro, por ser no terraço, nem preciso dizer que a vista é divina, né. Ali jantamos e apreciamos o pôr do sol, terminando de forma bem apropriada o dia que foi sensacional.

Dominique Rubenich

Gaúcha, 25 anos, formada em Biomedicina. Viajante pelo mundo, já tive a oportunidade de desfrutar das belezas de 26 países e pretendo aumentar ainda mais esse número. Amante de novas descobertas, culturas diferentes e pessoas cheias de histórias. Dizem que quem não viaja lê apenas uma página, não é? Bora ler o livro todo!

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