Guia Patagônia: Ruta 40

Não tem como falar em Patagonia e não pensar na famosa Ruta 40. Não é à toa que é famosa e aqui vai uns bons motivos para isso: Cruza toda a Argentina, de norte a sul, costeando os andes. Então, cada curva, cada subida e cada descida te apresentam um visual novo e incrível de montanhas com neve no topo. São mais de 5000km, considerada uma das mais extensas do mundo.

Não percorri toda a extensão, sai de El Calafate em direção à Torres del Paine, no Chile, e já deu para ter um gostinho do que ela é capaz. Foram 253km de estrada, saímos as 4am pensando em chegar cedo na fronteira com o chile e curtir o dia todo até a hora de voltar. Só que a natureza prega peças que de início podem parecer só atrapalhar, mas depois sempre tem um presentinho. E é por essa imprevisibilidade que o post é sobre essa rota que ganhou meu coração (e elevou meu nível como motorista!).

Saímos de madrugada, estrada tranquila, nada de movimento. Acho que consigo contar nos dedos quantos carros passaram por nós. Estava congelante essa noite, daqueles frios que os joelhos doem, os dedos travam e só aquele café bem quente ajuda. Tudo na paz até que os primeiros sinais de gelo na pista apareceram, percorremos bem mais da metade de todo o trajeto com a pista coberta de gelo, neve por todo o lado, escuridão total. Mas calma o coração! Como eu disse, a surpresa que estava por vim, veio.

 Com o início do nascer do sol, os raios querendo aparecer, o céu com mistura de rosa e laranja, paramos e descemos do carro. Não satisfeita com o nascer do sol incrível no meio da estrada, a natureza ainda nos deu de bandeja campos cheios de neve branquinha, fofinha, recém caída. Se tínhamos previsão de chegada, naquela hora esquecemos. 8am, -10°C, tudo o que o sol tocava estava coberto de neve, o céu como uma pintura; o mais legal de tudo isso é que nesse trecho que paramos não dava para ver montanhas, não seria uma paisagem fora do comum para muitos de nós, mas a neve deu o toque final. Aliviou as tensões pela estrada complicada pelo gelo e encheu a todos com sentimento de gratidão.

Estávamos quase chegando na fronteira, que não é complicada de atravessar. Os trâmites bem tranquilos e normais como em qualquer outro lugar; cada vez mais perto de Torres del Paine, não mais na Ruta 40, porém essa estrada vale a pena comentar também. Cada km mais próximo do destino final, as paisagens ficam cada vez mais encantadoras, os animais selvagens tranquilos compõem o cenário perfeito. Ao fundo é possível ver as Torres e os Cornos del Paine, céu limpo, claro, perfeito. Pena que todo esse tempo “perdido” na estrada por causa do gelo nos fez chegar muito tarde no Parque Nacional e a nossa visita acabou sendo extremamente curta e corrida.


Não é o foco do post, mas para quem não conhece, Torres del Paine é um parque nacional do Chile com 227.298 hectares. Pode ser feito de carro através das estradas de terra e, também, pelos circuitos de trekking “O” e “W”, de 9 e 5 dias respectivamente. Possui majestosas montanhas, cachoeiras, lagos e glaciares. Vale a pena ficar para conhecer (https://torresdelpaine.com/).

Como disse antes, a Ruta 40 atravessa a Argentina de ponta a ponta, a quilometragem feita é um grão se comparada ao todo, mas só essa pequena parte já foi incrível, imagina dirigir toda ela?!

Dica 1: Não podem passar alimentos não industrializados, frutas e verduras pela fronteira entre Argentina e Chile. Os carros e mochilas são todos revistados por cachorros (fofíssimos) que não deixam passar nada.

Dica 2: Dirija com cuidado! As estradas podem ser lindas, mas exigem o triplo do cuidado devido ao gelo e a neve na pista. Apesar de não ter movimento intenso nas estradas e elas serem relativamente muito boas, há muitos animais selvagens que cruzam as pistas.

Roteiro:

@giomanfroi
@naomeesperaprojantar

Dominique Rubenich

Gaúcha, 25 anos, formada em Biomedicina. Viajante pelo mundo, já tive a oportunidade de desfrutar das belezas de 26 países e pretendo aumentar ainda mais esse número. Amante de novas descobertas, culturas diferentes e pessoas cheias de histórias. Dizem que quem não viaja lê apenas uma página, não é? Bora ler o livro todo!

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