Guia Patagônia: O que fazer em El Chalten

El Chalten é uma das cidades mais novas da Argentina, fundada em 1985 para garantir a soberania Argentina sob as cadeias de montanhas que atraem os turistas. Inicialmente esse pequeno vilarejo era como se fosse um bairro de El Calafate – cidade que fica a 213km. Porém, por interesse chileno em anexar os famosos Cerro Torre e Monte Fitz Roy ao seu território, El Chalten se transformou numa cidade linda, simples e cheia de encantos.

Mas por que tudo isso?

Essas montanhas são incrivelmente famosas para os alpinistas de plantão. O grau de dificuldade se dá pelas paredes íngremes, condições climáticas imprevisíveis, ventos fortes e, claro, a neve. Mas calma o coração! Existem trilhas de nível fácil e médio para nós, meros mortais, que amamos a natureza e queremos perpetuar essas paisagens na nossa mente.

Para chegar em El Chalten é bem fácil: ou através dos ônibus que saem de El Calafate diariamente, ou de carro. As estradas são ótimas para dirigir, as vias são largas, sem buracos, pouco movimento, tudo muito bem sinalizado e, claro, com uma vista sensacional! Pegamos a Ruta 23 que segue para a pequena cidade; praticamente em todo o momento temos uma visão perfeita do monte Fitz Roy, o que dá fotos belíssimas e motivos para parar o carro no acostamento só para admirar.

É um pequeno vilarejo, fácil de conhecer todo a pé, não precisando de transporte de alguma forma. Cheio de casinhas, a cidade inteira rodeada de montanhas, estilo bem de interior. As poucas, porem boas, opções de comida são deixar qualquer um com água na boca. Pode ter certeza que nesse lugar vai te faltar nada!

Cerro Torre

O maior pico dentre vários, injusto eu descrever ele assim. Pode não ser a cadeia de montanhas mais alta que existe, mas a sua imponência fascina a todos. O Cerro Torre já foi cenário para o filme de mesmo nome, que conta a história de alpinistas e as suas dificuldades em conquistar seu topo. A mesma beleza que chama à sua admiração e a vontade de escalar, já tirou a vida de muitos, por isso é considerada uma escalada de nível muito difícil, sendo feito somente por profissionais.

Existe, entretanto, outras formas de chegar um pouco mais perto e em trilhas de nível fácil. O trekking em direção à laguna Torre é bem tranquilo, com extensão de 18km ida e volta, poucas subidas e caminho bem demarcado, sendo autoguiada e não necessitando de agência ou guia para realiza-la. Todo o percurso pode ser feito e um turno, podendo encaixar no seu roteiro sem prejudicar demais horários estabelecidos.

No final da trilha você se depara com a laguna Torre e visão direta para os três principais picos: o maior Cerro Torre, o menor Cerro Standhardt e o médio Cerro Egger. Devido às condições climáticas serem bem imprevisíveis, muitas vezes os picos podem estar cobertos de nuvens, mas se tiver sorte, como eu, o céu pode estar limpo e, preciso dizer, é um espetáculo.

Monte Fitz Roy

A trilha para chegar na base do Fitz Roy não vai ser barbada. Denominada Trilha a laguna de los três, possui 20km ida e volta, sendo os primeiros 4km puramente subida. Então coloca as botas de trekking e vem comigo!
Todo o percurso é indicado por placas e mapas, sendo autoguiado e tranquilo se fazer com os amigos ou o seu grupo de viagem. A subida com certeza é cansativa, mas o visual compensa. O tempo todo nos deparamos com novos ângulos, paisagens, montanhas, rios que deixam tudo mágico. Pela extensão da trilha, o nível de dificuldade e a quantidade de subida, recomenda-se começar o mais cedo possível. Saímos as 9am e fomos caminhando, sem pressa, apreciando e tirando fotos. Levamos conosco sanduíches para almoço no meio do caminho e lanchinhos para quando bater aquela fomezinha.

Importante salientar que a época do ano influencia muito no grau de dificuldade da trilha. Fomos em maio, meio do outono e já pegamos muita neve. No inverno essa trilha fica fechada por segurança, e no verão o fator gelo não acrescenta dificuldade.

O último km foi o mais difícil que já percorri por dois motivos: 1. Subida bem íngreme; 2. Muito gelo e neve acumulada. Foi um desafio chegar até a base do Fitz Roy, muitas pessoas desistiram no meio do caminho pela real dificuldade de subir e pela probabilidade de escorregar ladeira abaixo. Mas não se assuste, conheça seus limites e vá até onde se sentir seguro. Subimos em grupo para ir auxiliando uns ou outros quando necessário, escorregamos algumas vezes, cansamos muito, mas chegamos lá em cima! Vale a pena? Vale! É inacreditável o que a natureza pode fazer!

O topo

Chegamos no topo pelas 14h e ficamos somente 1h. Em trilhas mais extensas e com certa dificuldade como essa, é importante atentar ao período de luz natural para não fazer a trilha a noite. Chegamos no hostel as 21h, ainda que planejando, fizemos 2h de trilha no escuro. Portanto, nunca esqueça de carregar uma lanterna na mochila, elas ajudam demais!

Pelo roteiro da roadtrip que estávamos seguindo, ficamos somente dois dias em El Chalten, mas eu com certeza ficaria mais tempo. Essa cidade é conhecida pelas trilhas e por essa conexão com a natureza, por estar dentro do parque nacional dos glaciares, imagina a quantidade de trekkings, montanhas, lagunas e paisagens que se pode conhecer!

 

Roteiro:

@giomanfroi
@naomeesperaprojantar

Dominique Rubenich

Gaúcha, 25 anos, formada em Biomedicina. Viajante pelo mundo, já tive a oportunidade de desfrutar das belezas de 26 países e pretendo aumentar ainda mais esse número. Amante de novas descobertas, culturas diferentes e pessoas cheias de histórias. Dizem que quem não viaja lê apenas uma página, não é? Bora ler o livro todo!

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